Com base nos temas já abordados e nos materiais fornecidos, podemos agora aprofundar o Desenho de Aprendizagem Online, focando-nos na distinção entre os conceitos de Design Instrucional e Design Educacional.
Os recursos analisados revelam que ambos os termos, Design Instrucional (DI) e Design Educacional (DE), são frequentemente utilizados no contexto da conceção e desenvolvimento de soluções educativas, particularmente no Ensino a Distância (EaD) e em ambientes online (Dennisy Silva De Figueiredo, 2017). Embora muitas vezes apareçam como sinónimos, alguns autores e perspetivas sugerem que existem distinções importantes a considerar (Andrade & Santos, 2021).
Conceitos e Definições:
· De forma geral, “design” significa “projeto” em inglês, vindo do latim designare, que remete a traçar, apontar, mostrar uma direção. Refere-se ao resultado de um processo ou atividade (um produto), com propósitos e intenções claramente definidos (Andrade & Santos, 2021).
· Tanto o DI quanto o DE são campos teóricos e práticos que se dedicam ao planejamento, preparação, projeção, produção e publicação de textos, imagens, gráficos, sons, movimentos, simulações, atividades e tarefas para contextos de ensino-aprendizagem, frequentemente ancorados em suportes virtuais (Dennisy Silva De Figueiredo, 2017).
· O Design Educacional, segundo uma perspetiva, é um campo teórico que se divide em três aspetos: teoria, processo e produto. O seu principal objetivo é produzir estratégias, métodos e itens que facilitem a realização de metodologias educacionais, unindo o seu conceito a várias etapas de realização de soluções criadas para atender a uma necessidade de aprendizagem. Como teoria, volta-se à pesquisa e às teorias de ensino-aprendizagem, fundamentando-se em ciências humanas, da informação / comunicação e da administração. Como produto, manifesta-se em e-books, vídeos educativos, jogos, entre outros (Dennisy Silva De Figueiredo, 2017).
· Design Educacional também é definido como a atividade que inclui o planeamento, a elaboração e o desenvolvimento de projetos pedagógicos, materiais educacionais, ambientes colaborativos, atividades interativas e modelos de avaliação para o processo de ensino e aprendizagem. Envolve conhecimentos que todos os que trabalham em educação devem possuir, desde professores a coordenadores e gestores (Carmen Santos et al., 2015).
· O Design Instrucional é definido por Filatro (2008) como uma área que se dedica a planear, preparar, projetar, produzir e publicar materiais e atividades (Andrea Filatro & Stela Conceição Bertholo Piconez, 2004; Edilene Cândido Da Silva et al., 2019). Historicamente, esteve mais vinculado à produção de materiais didáticos impressos, mas com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TICs), tornou-se um processo mais amplo que envolve maior personalização e favorece a comunicação (Carmen Santos et al., 2015).
· Algumas fontes sugerem que o Design Educacional pode ser visto como uma evolução do Design Instrucional (Claudio Cleverson De Lima & João Augusto Mattar Neto, 2017).
Relação e Diferenças Segundo as Fontes:
· Apesar das definições apresentarem aproximações significativas (Andrade & Santos, 2021) e ambos utilizarem as tecnologias digitais (TICs, Web 2.0) de forma planeada em todas as etapas dos processos de ensino e aprendizagem (Dennisy Silva De Figueiredo, 2017)., a distinção reside frequentemente no âmbito e na perspetiva.
· Uma análise semântica e etimológica sugere uma diferença: “instrução” remete a apontar, ao instrumento, enquanto “educação” vai além da simples instrução, pressupondo uma visão mais ampla (Associação Brasileira de Educação a Distância et al., 2018).
· Nessa perspetiva, o Designer Instrucional pode ser visto como um elemento focado na “instrução da linguagem” do processo de desenvolvimento de conteúdos educacionais, adaptando o conteúdo e a linguagem para garantir que os objetivos de ensino sejam atingidos. O seu foco estaria mais na adequação e análise dos materiais e recursos didáticos específicos (Associação Brasileira de Educação a Distância et al., 2018).
· Já o Designer Educacional implicaria uma visão macro de todo o processo de desenvolvimento metodológico de um curso online, acompanhando cada fase, desde o planeamento inicial, passando pelo desenvolvimento de materiais e recursos, até à avaliação contínua do processo e do produto. Este profissional estaria mais envolvido nas questões de planeamento pedagógico mais amplas e na implementação do curso em conjunto com a coordenação e docentes, necessitando compreender os temas abordados para propor as melhores estratégias e recursos (Dennisy Silva De Figueiredo, 2017).
· Sob uma ótica de educação progressista, o Design Educacional não se apresenta como um conjunto de técnicas pré-determinadas, mas visa atender a cada situação específica de acordo com as suas particularidades e demandas pedagógicas, não sendo alienado da realidade e dos condicionantes históricos e sociais (Associação Brasileira de Educação a Distância et al., 2018).
· Alguns autores argumentam que há razões para não considerar DI e DE sinónimos, pois, embora as ações sejam em alguma medida congruentes e possuam princípios semelhantes, existem fatores que os distanciam, relacionados à complexidade dos cenários e às necessidades de adaptação (Dennisy Silva De Figueiredo, 2017).
Pontos de Convergência e Aplicação:
· Ambos os campos partilham o foco na prática pedagógica relacionada com o ensino e a aprendizagem.
· São aplicados na conceção de cursos e materiais para Educação a Distância e online (Carmen Santos et al., 2015).
· Envolvem a seleção e utilização de tecnologias, incluindo Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) como Moodle, Canvas, Blackboard, ferramentas da Web 2.0, como fóruns, chats, wikis, blogs (António Quintas-Mendes et al., 2021), e a promoção de Ambientes Pessoais de Aprendizagem (PLEs) (Claudio Cleverson De Lima & João Augusto Mattar Neto, 2017).
· Valorizam a interação (estudante-conteúdo, estudante-professor, estudante-estudante) como elemento fundamental para a construção do conhecimento e para a aprendizagem significativa. Modelos como o de Hirumi ou Mattar são utilizados para planear e sequenciar interações online (Claudio Cleverson De Lima & João Augusto Mattar Neto, 2017).
· Consideram diferentes abordagens pedagógicas, como o construtivismo (Losada Cárdenas & Peña Estrada, 2022).
· Enfatizam a importância da avaliação (diagnóstica, formativa, somativa) tanto da aprendizagem do aluno quanto da efetividade da proposta de design (António Quintas-Mendes et al., 2021; Claudio Cleverson De Lima & João Augusto Mattar Neto, 2017).
· Ambos os papéis, seja como Designer Instrucional ou Educacional, são cruciais em equipas multidisciplinares para a realização de projetos de qualidade em EaD (Carmen Santos et al., 2015).
Em suma, enquanto o termo Design Instrucional pode focar-se mais na criação e organização sistemática dos materiais e atividades para facilitar a “instrução” ou a aquisição de conhecimentos e habilidades de forma mais direcionada, o termo Design Educacional tende a ser associado a uma abordagem mais ampla e contextualizada, que abrange o planeamento pedagógico do curso como um todo, considera as especificidades do público e do contexto, integra diferentes teorias e visa a construção de conhecimento de forma mais complexa e alinhada com visões educativas mais progressistas. No entanto, na prática e na literatura, os termos são frequentemente usados de forma sobreposta.
Eduardo Santos
Referências
Andrea Filatro & Stela Conceição Bertholo Piconez. (2004). Design Instrucional Contextualizado. Faculdade de Educação da USP.
António Quintas-Mendes, Rozangela Maria Wyszomirska, & Pedro Barbosa Cabral. (2021). Desenho de Aprendizagem e ferramentas conceptuais para o desenho de cursos on-line. Em Educação e tecnologias web: Contributos de pesquisa luso-brasileiros (pp. 51–73). Appris Editora e Livraria Eireli – ME.
Associação Brasileira de Educação a Distância, Cíntia Costa Macedo, & Juliana Cristina Faggion Bergmann. (2018). O Designer Instrucional e o Designer Educacional no Campo da EaD: Conceito e Prática. Apresentações Trabalhos Científicos, 10. https://doi.org/10.17143/ciaed/XXIVCIAED.2018.9726
Carmen Santos, Carolina Fassbender, & Christiane Evangelista. (2015). Design Educacional em EaD – Conceitos e Práticas Inovadoras. Revista Cesuca Virtual: Conhecimento sem Fronteiras, 2(4), 93–105.
Claudio Cleverson De Lima & João Augusto Mattar Neto. (2017). Utilização do design educacional na concepção do projeto de ensino de programação de computadores na modalidade EaD. Research, Society and Development, 4(3), 199–214. https://doi.org/10.17648/rsd-v4i3.84
Dennisy Silva De Figueiredo. (2017). Design Educacional: Criação e Implementação de Capacitação Continuada a Distância Para Professores da Rede Estadual de Educação Básica da Paraíba [Universidade Federal da Paraíba – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes]. https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/3234
Edilene Cândido Da Silva, Juliana Teixeira Da Câmara Reis, & Raiane Dos Santos Martins. (2019). Design Educacional na Elaboração de Materiais Didáticos para Cursos Online: Uma Proposta de Formação Docente. Em Willian Douglas Guilherme, Avaliação, Políticas e Expansão da Educação Brasileira (1.a ed., pp. 64–71). Atena Editora. https://doi.org/10.22533/at.ed.7641910076
Losada Cárdenas, M. Á., & Peña Estrada, C. C. (2022). El diseño instruccional y los recursos tecnológicos en el mejoramiento de las competencias digitales de los docentes. RIDE Revista Iberoamericana para la Investigación y el Desarrollo Educativo, 14(2), 40–65. https://doi.org/10.23913/ride.v13i25.1309
